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Memória de São Camilo | Março: São Camilo e a parábola do bom samaritano

14.03.2020 | 3 minutos de leitura
São Camilo
Memória de São Camilo | Março: São Camilo e a parábola do bom samaritano

No capítulo X do seu Evangelho, São Lucas narra o misericordioso e insigne exemplo de caridade do samaritano, que Nosso Senhor Jesus Cristo propôs ao doutor da lei. Numa viagem, encontrou no caminho um pobre homem despojado pelos assaltantes e tão maltratado por eles que o deixaram semimorto. Passaram pelo mesmo caminho, antes, um sacerdote e, depois, um levita, mas nenhum deles o socorreu; por fim passou o samaritano e, movido de compaixão, aproximou-se dele, cuidou de suas feridas e, montando-o no seu jumento, o levou até uma hospedaria. Lá, cuidou dele com suas próprias mãos e, ao partir, deixou duas moedas ao hospedeiro para que tomasse conta dele até a sua volta. 

Este notável e maravilhoso exemplo de caridade, se me é lícito valer-me de tal comparação, sem qualquer desmerecimento para outros santos, parece que pode ser aplicado ao nosso Pe. Camilo. Pois o homem que caiu nas mãos dos assaltantes e foi deixado meio morto à margem do caminho, quem poderia representar melhor senão os doentes, abandonados tanto nos hospitais quanto nas suas residências?

Desde o início da Igreja, passaram pelo caminho desta vida não um, mas muitos sacerdotes e levitas, isto é, muitos santos e grandes servos de Deus, fundadores de outras congregações. Todos orientaram suas regras e institutos para obras santas, mas nenhum assumiu para si, como finalidade principal e por voto, prestar assistência aos pobres doentes, agonizantes e acometidos de peste. Finalmente, por misericórdia de Deus, passando por aqui o bondoso samaritano que, sem dúvida, podemos dizer que foi Camilo, antes homem de mundo, depois convertido a Deus, e vendo os pobres abandonados, movido de compaixão, aproximou-se e os tratou, assumindo para si a missão de ajudá-los e servi-los. 

Parece que não foi sem intervenção do Espírito Santo que, no batismo, lhe deram o nome de Camilo, isto é, Camelo, para que carregasse o peso dos pobres em seus ombros. E tendo-os servido durante muito tempo com suas próprias forças, ao partir para o céu, quis deixar neste mundo duas moedas para o seu serviço, isto é, a sua humilde congregação, fundada sobre os dois mandamentos do amor a Deus e ao próximo. Os seus religiosos, à semelhança de duas moedas de ouro de caridade, marcadas com o sinal da cruz, deveriam ser gastos e aplicados a serviço dos pobres até a sua volta que, sem dúvida, acontecerá no dia do juízo. Quando Nosso Senhor Jesus Cristo vier julgar o mundo, retribuirá por inteiro, isto é, dará o merecido prêmio a quantos tiverem sido misericordiosos. Dirá: “Estive enfermo e me visitastes, vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do reino que vos foi preparado desde a criação do mundo”.

- Sanzio Cicatelli

Impelidos pelo testemunho de Camilo e pela parábola do Bom Samaritano, que nos disponhamos a mover-nos de compaixão e a cuidar daqueles que se encontram feridos às margens de nossos caminhos. 

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