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Memória de São Camilo | Abril: Camilo traz uma nova forma de cuidar dos doentes

14.04.2020 | 3 minutos de leitura
São Camilo
Memória de São Camilo | Abril: Camilo traz uma nova forma de cuidar dos doentes

Na época de Camilo, a assistência aos enfermos nos hospitais era extremamente precária. Enfermeiros e auxiliares eram pessoas sem nenhuma qualificação, sem preparação, frequentemente privadas até de um mínimo de piedade, de sensibilidade e de humanidade. Às vezes eram delinquentes, ex-detentos, ou ex-galés aos quais, como alternativa às grades ou aos remos, tinha sido oferecido o serviço no hospital, pode-se imaginar com quanto entusiasmo, elegância, consciência e profissionalismo (como diríamos hoje).

Às vezes, os doentes passavam dias inteiros sem se alimentar, porque ninguém se preocupava em servi-los, ajudá-los, dar-lhos na boca. Ou então, apodreciam entre seus excrementos ou no meio dos vermes, porque todos se esquivavam quando os leitos deviam ser refeitos. Para fazer as necessidades, os hospitalizados deveriam ir por si, e quem estava em estado grave ou muito fraco frequentemente ficava pelo caminho, batia a cabeça ou ia de encontro a uma pneumonia. 

Palavrões, insultos, bofetões e toda espécie de maus-tratos – em geral sem motivo e no limite do sadismo – eram praxe ordinária com os enfermos por parte desses brutos frustrados, descontentes, sem vontade, não motivados e mal pagos, que às vezes, para ter menos trabalho e menos problemas, não hesitavam em amarrar os doentes nos seus leitos. E para o pior não havia limite. Não raramente algum infeliz era confundido com um morto, tirado do leito e atirado ainda vivo nas mãos dos coveiros. 

Camilo tinha descido a esse abismo sem fundo. Ele sente que a sua vida, quem sabe até quando, será toda lá, naquele lugar de dores físicas e morais; é lá que deverá viver o Evangelho, amar o próximo, compartilhar e aliviar os sofrimentos alheios, mortificar-se, adquirir virtudes, fazer-se santo. Sua opção cristã radical é servir e ajudar com todas as forças aqueles doentes e sofredores e levar a sua cruz tão dura e pesada, como o Cirineu fez com Jesus.

Nesse espírito, Camilo arregaça as mangas e mergulha com ímpeto renovado no trabalho. E havia muito o que fazer! Acolher e organizar os doentes, assisti-los, administrar-lhes cuidados e remédios segundo as prescrições dos médicos, servir o alimento e ajudá-los a comer, lavá-los, limpá-los, fazer as camas, atender os seus chamados em qualquer hora do dia e da noite, apoiá-los na dor física e no desconforto, prepara-los, quando necessário, para bem morrer. Camilo começou a reforma sanitária e assistencial que promoverá durante toda a vida. 

Os enfermos estavam antes de tudo e de todos, deviam ser curados e assistidos da melhor forma, e ao servi-los era preciso trata-los com amor, com respeito e afeto, com delicadeza e até com veneração, como se nas suas dores físicas e morais o próprio Cristo renovasse e revivesse a sua paixão. Este era o ponto central da espiritualidade e da ação de Camilo como santo dos doentes e dos sofredores: ver, servir, amar, até contemplar e adorar na pessoa enferma e sofredora nada mais que Jesus sofredor, ferido e crucificado. 

- Mário Spinelli 

Que este relato da vida de Camilo revigore nosso ardor na missão de cuidar dos mais fragilizados. 

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