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Memória de São Camilo | Maio: Traços marianos em Camilo e em seu carisma

14.05.2020 | 3 minutos de leitura
São Camilo
Memória de São Camilo | Maio: Traços marianos em Camilo e em seu carisma

Camilo foi um homem de piedade singular e que cultivava uma profunda devoção a Nossa Senhora. Ele tinha nessa devoção uma confiança fecunda, de forma que recomendava constantemente à intercessão de Maria sua vida, a Ordem e, principalmente, os doentes. Essa estreita relação de fé entre Camilo e Nossa Senhora, que começou com sua conversão, foi sendo nutrida ao longo de sua vida, perdurou até a sua morte, e influenciou a Ordem dos Ministros dos Enfermos em diversos aspectos.

Na sua missão de cuidar e servir os doentes, Camilo desenvolve sua espiritualidade que é, inquestionavelmente, cristocêntrica. Ele encorajava seus companheiros a verem nos doentes o Cristo crucificado e a cuidarem deles como tal. As chagas dos doentes eram as mesmas chagas de Cristo na cruz, suas dores, as mesmas sentidas por Jesus, seus suplícios, os mesmos padecidos pelo Filho de Deus. Ao mesmo tempo que se contempla o Cristo sofredor no enfermo, Camilo dizia que aquele que cuida deveria ser a presença de Cristo ressuscitado para o doente. 

Dentro desse contexto cristocêntrico, Camilo adiciona traços femininos, maternos e marianos. O serviço aos enfermos deveria ser feito com amor especial e único, como o próprio Camilo deixou escrito como primeira orientação para os membros de sua Companhia: “Cada qual peça a Deus que lhe dê um afeto materno para com o próximo, a fim de podermos servi-lo com todo o amor, tanto na alma quanto no corpo, pois, com a graça de Deus, desejamos servir todos os doentes com o mesmo carinho que uma extremosa mãe dedica ao seu filho doente”.

Nesse horizonte de cuidado materno, desponta o exemplo daquela que gestou, amou e acompanhou seu filho até o fim. Maria é a figura evocada por Camilo para caracterizar esse cuidado materno e incondicional para com os enfermos. Ela, mais do que ninguém, vivenciou esse amor e testemunhou a dor e o sofrimento de seu filho, caminhando e estando junto dele até sua morte na cruz. Além disso, Maria é também exemplo enquanto aquela que carrega a força feminina do amor, que se manifesta por meio de características bem específicas: integridade, ternura, serenidade, solidariedade, virtudes que deveriam ser buscadas e nutridas por aqueles que desejam se entregar no serviço aos enfermos, como camilianos. 

Ele evocava e utilizava como inspiração para seus companheiros também a imagem da Mater Dolorosa, que transmite a serenidade de Maria diante da morte do seu filho. Nessa imagem Camilo consegue enxergar tanto um significado para ser vivenciado para com os doentes, como também um sentido espiritual, que revela a presença materna de Nossa Senhora junto aos sofrimentos de seus filhos que padecem de alguma enfermidade. 

O camiliano é chamado a enxergar no doente o Cristo crucificado e a nutrir em si, a exemplo de Maria, seu amor e sua serenidade, permanecendo junto ao leito do enfermo e servindo a ele com atenção e cuidado maternos, assim como ela permaneceu aos pés da cruz de seu filho. Ao mesmo tempo, a espiritualidade de Camilo nos comunica que, justamente pelo fato do enfermo “encarnar” o Cristo crucificado, a própria Mater Dolorosa se faz presente também junto às cruzes desses seus filhos doentes, como esteve no Calvário no momento da paixão de seu filho Jesus.

Peçamos a intercessão de Nossa Senhora e São Camilo para que nos inspirem a exercer com solicitude materna nossa missão de cuidar e servir os doentes.

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