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Tudo sobre a vida de São Camilo

25.06.2019 | 8 minutos de leitura
São Camilo
Tudo sobre a vida de São Camilo

São Camilo de Lellis é um dos grandes santos da Igreja. Ele foi um homem extremamente comum, que sentia Deus em seu coração falando com ele interiormente. Um homem que tinha suas fraquezas e, por muitas vezes, se deixava levar por elas, prejudicando, principalmente, a si mesmo. 

Ele era um homem decidido. Quando decidiu-se por Deus, lutou e mudou. Atendeu ao chamado do Senhor e enxergou uma sombra onde poderia levar a luz de Deus: nos sofrimentos das enfermidades.

Queremos lhe apresentar São Camilo de Lellis, o santo patrono dos enfermos, de todos os hospitais do mundo e dos profissionais que lá trabalham. Um homem que deixou de lado a própria enfermidade para cuidar do próximo. 

Uma criança de gênio forte

Quando Camilo nasceu, seus pais – João e Camila – já eram bem vividos. O pai tinha 55 anos e a mãe, 60. Por conta disso, Camilo os perdeu ainda muito novo. A ausência da mãe, por exemplo, aconteceu quando ele tinha apenas 12 anos de idade. 

Antes dessa tragédia, o menino Camilo foi criado basicamente só por Camila, uma vez que seu pai era militar e viajava muito, passando maior parte do tempo ausente. Quando podia estar em casa, João procurava compensar a sua falta dedicando-se ao máximo a dar atenção ao filho e à esposa. 

Talvez por conta da falta do pai em casa, Camilo se tornou um menino um tanto rebelde. Depois da morte da mãe, o pai resolveu levá-lo consigo para o trabalho. Logo depois, mesmo Camilo sendo muito jovem, João conseguiu com seus superiores uma primeira oportunidade de trabalho para o filho. Grande e forte, mas sem estudos, Camilo trabalhava nos serviços pesados.


Camilo de Lellis passou um bom tempo da sua vida acompanhando o pai. Quando completou 16 anos, tentou ingressar no Exército. Sem sucesso da primeira vez, aos 19 viajava na companhia do pai para se alistar novamente. O que ele não esperava é que seu pai adoeceria no meio do trajeto e, em pouco tempo, antes mesmo de completar a viagem, morreria.



Mesmo com a perda, Camilo não desistiu do seu sonho de se tornar militar até, enfim, ser aceito. Contudo, sua permanência no Exército não durou muito!


Sozinho no mundo, ele viveu os prazeres que o mundo lhe oferecia. Viciou-se em jogos de cartas, assim como tinha sido com seu pai. Ganhava muito dinheiro e, na mesma proporção, o perdia. 

Chegou ao ponto de ficar sem nada, vivendo nas ruas como mendigo. E, era exatamente nesses momentos de dor e sofrimento que Deus começava a falar ao coração de Camilo. Não foram poucas as vezes em que tentava recomeçar e fraquejava. Demorou até que, um dia, finalmente, ele tomou uma decisão para sua vida.


Uma ferida que o acompanhou pela vida inteira

Durante muito tempo, São Camilo de Lellis carregou as dores de uma ferida no peito do pé direito. Ela surgiu ainda na juventude, mais ou menos quando tinha 20 anos de idade. Iniciou, primeiro, como uma pequena bolha que, de tanto mexer, se tornou ferida e, aos poucos, foi tomando a perna inteira.

Esta ferida tornou-se, com o tempo, um canal da graça de Deus para sua missão. Foi por causa dela que ele não permaneceu no Exército e, pelo mesmo motivo, o convento franciscano o dispensou, orientando-o que fosse à Roma tratar o problema no Hospital de São Tiago dos Incuráveis. 

Foi nesse hospital que São Camilo teve a inspiração de começar o seu serviço às pessoas enfermas. Mesmo com a ferida em seu pé que não cicatrizava e todo sofrimento que ela lhe trazia, Camilo atendeu ao chamado de Deus e abraçou com firmeza a sua missão: tratar cada doente como se fosse o próprio Senhor.

A Ordem dos Ministros Enfermos


No auge dos seus 30 anos, São Camilo sente o chamado de fazer mais pelos enfermos. Nessa época, ele já tinha passado por três longos períodos de tratamento no Hospital de São Tiago para curar a ferida de sua perna. De tanto viver por lá, ao mesmo tempo em que se tratava, já trabalhava também.

Camilo chegou a ser administrador do hospital, cuidando, entre outras coisas, da equipe de trabalho, da compra de alimentos, da troca e cuidado com os lençóis.

Observando todo o contexto de lá, São Camilo percebeu que ainda era possível fazer mais pelos doentes. Ele queria cuidar de suas enfermidades, mas, além disso, dar um lugar digno para cada paciente, que inclua roupas limpas, ambiente arejado, tratamento humanizado, conversas de amigo etc. Ele dizia que o cuidado dado a um paciente de hospital deveria ser o mesmo que uma mãe dá ao seu filho único quando este está enfermo.

No início, São Camilo buscou mudar o modo como os funcionários faziam as coisas, o que não deu muito certo. Buscou, então, voluntários que fizessem por amor, sem qualquer troca financeira. Encontrou cinco rapazes dispostos a trabalhar com ele. Como uma espécie de companhia, eles reuniam-se à noite numa igrejinha localizada ao lado do hospital para organizar o trabalho de cuidado aos enfermos. 

Logo, esse trabalho começou a despertar desavenças com a equipe do Hospital São Tiago dos Incuráveis. Pouco tempo depois, eles foram convidados a se retirarem de lá. Encontraram um outro hospital, em Roma também, uma porta aberta para continuar a desenvolver aquele trabalho. O Hospital do Espírito Santo era considerado o maior de Roma naquela época.

Com a providência divina, conseguiram alugar uma casa para servir de sede da companhia e, a partir daí, a missão foi tomando proporções cada vez maiores. Aos 32 anos, São Camilo decidiu tornar-se padre, tendo em vista que, como sacerdote, poderia fazer mais pela missão. Foi aceito no seminário e, mesmo sem ter nenhum bem em seu nome, exigência para financiar os estudos, a providência divina agiu por meio de benfeitores que custearam tudo, permitindo assim que um dia ele fosse ordenado.

Enxergando a necessidade de um nome para a companhia, os membros se reuniram e discerniram que ela se chamaria Companhia dos Ministros Enfermos. Depois do nome, as primeiras regras desta companhia foram escritas e aprovadas. Em 1586, a companhia conseguiu aprovação pontifícia do Papa Sisto V, tornando-se uma congregação religiosa. Em 1591, o Papa Gregório XIV aprovou os estatutos e, o que antes era congregação, virou uma Ordem Religiosa: a Ordem dos Ministros Enfermos.

O chamado feito a Camilo já estava dando frutos. Em pouco tempo, novas vocações surgiram e, ao mesmo tempo, os próprios hospitais já estavam pedindo ajuda dos missionários para cuidarem dos enfermos. Começou pelos hospitais de Roma até, mais tarde, a fundação de casas missionárias: em Nápoles, Milão e Gênova. Além disso, eles também começaram a ser chamados para servirem em conflitos militares por meio do auxílio aos feridos. Depois, novas casas foram surgindo, inclusive fora da Itália.

Hoje, a Ordem dos Ministros Enfermos, popularmente conhecidos como Camilianos está presente nos cinco continentes do mundo. A maior expansão se deu no Século XX, devido às duas grandes guerras mundiais. No Brasil, eles chegaram em 1922, na cidade de Mariana (MG). 

Ele trabalhou até o fim


São Camilo esteve à frente da Ordem Religiosa por 15 anos. Com 67 de idade, em 1607 ele já estava muito cansado visto todo esforço físico e intelectual desprendido para desempenhar a missão. Sem contar que, a ferida em sua perna que lhe acompanhava desde a juventude, estava piorando. Com isso, ele decidiu renunciar ao cargo de direção da Ordem, mas permaneceu firme na assistência aos enfermos.

Com menos responsabilidades, Camilo voltou a trabalhar no Hospital do Espírito Santo. Em 1613, após a eleição de um novo Superior Geral, São Camilo foi chamado a acompanhá-lo em uma visita às casas da Ordem. No caminho, os dois pararam no local onde o pai de Camilo havia sido sepultado. Os dois rezaram e Camilo se emocionou muito. Eles seguiram de Roma para Gênova. Chegando, muito debilitado, os irmãos queriam que Camilo permanecesse por lá, com medo de que ele morresse na viagem de volta.

Foi então que São Camilo profetizou o dia de sua morte. Ele pediu para que não se preocupassem, pois não morreria ali. Segundo ele, sua morte seria em Roma, no dia de São Boaventura em 14 de julho. 



Mais tarde, tais palavras se confirmaram. No dia 14 de julho de 1614, São Camilo deu o último suspiro. O sino da Igreja tocou às nove horas da noite anunciando a sua morte. Conforme a notícia foi se espalhando, muitas pessoas foram para lá prestar condolências e rezar por Camilo que, ainda em vida, já tinha conquistado fama de santo.

Em 1742, Camilo foi beatificado e, alguns depois, em 1746 foi canonizado pelo Papa Bento XIV. No final do Século XIX, o Papa Leão XIII o declarou patrono dos doentes e dos hospitais do mundo inteiro, junto com São João de Deus. Já no Século XX, o Papa Pio XI o declarou patrono dos profissionais que trabalham em hospitais. 

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