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A importância de rezar pelas vocações

06.08.2018 | 6 minutos de leitura
Igreja
A importância de rezar pelas vocações

A vocação atinge de modo profundo a vida de cada um. A dúvida que mora dentro do ser humano a respeito da sua existência nesse mundo leva-o a se questionar sobre os seus anseios, suas preferências, suas escolhas e seus sonhos. Ainda que a pessoa não saiba, essa dúvida está intimamente ligada à sua vocação. Cada um reage da sua maneira aos seus próprios questionamentos. O que há em comum é que todos têm o desejo de saber para que foram criados. Nesse contexto, o autoconhecimento é muito importante, pois exige uma identificação pessoal a partir das experiências e do reconhecimento dos sinais manifestados em sua vida. Fazer uma leitura da própria história para ver onde Deus lhe encaixa, onde Deus lhe chama é fundamental.


O Batismo confirma a filiação divina e concede ao ser humano a graça de ser cristão, chamado a servir, a ser Igreja no compromisso evangelizador e no testemunho do seguimento de Cristo. O batizado é chamado a assumir, em sua liberdade, com espírito profético a vida, respondendo aos apelos de Deus, iluminando a realidade, vencendo os desafios do tempo presente.


Ora, se de Deus se recebe como primeira vocação a vida, para vivê-la em plenitude se faz necessária a compreensão da missão que há reservada para a sua existência. A vocação é um dom gratuito que Deus concede a cada um dos Seus filhos. Entender e acolher a vocação é uma escolha, que certamente é um caminho que conduz à felicidade: “Eu vim para que todos tenham vida, e tenham vida em abundância” (João 10,10). A descoberta da vocação conduz à vida em abundância, porque a felicidade está alicerçada na vivência do projeto de Deus, que não é momentâneo, mas, sim, um processo para toda a vida.


Um coração sensível à voz de Deus se dedica a discernir a sua vocação, seja ela ao sacerdócio, à vida religiosa, ao matrimônio ou ao celibato laical: “A uns Ele constituiu apóstolos, a outros profetas, a outros evangelistas, outros pastores, doutores, para o aperfeiçoamento dos cristãos, para o desempenho da tarefa que visa a construção do Corpo de Cristo” (Ef. 4, 11-12). 


Esse caminho de discernimento vocacional é uma estrada pessoal. Se constrói, sim, com muitos acompanhantes, sejam eles orientadores espirituais, amigos, confessores, mas é uma experiência particular, vivida na intimidade do ser. O Papa Francisco fez questão de lembrar que nós não estamos neste mundo por acaso, pelo contrário, a nossa vida é fruto de uma vocação divina. E, a cada dia, o Senhor continua a nos chamar para O seguir. Só depende de nós ouvir e atender este chamado. Tenha coragem de questionar-se para descobrir a sua vocação!


Mês Vocacional


Agosto é um mês especial, pois é o mês em que toda a Igreja do Brasil reza pelas vocações a partir da própria celebração litúrgica, que dedica cada domingo a uma vocação específica: a Liturgia da Palavra dá o tema principal da reflexão. 


O primeiro domingo é dedicado aos Ministérios Ordenados, visto que, em 4 de agosto, celebramos o dia de São João Maria Vianney, o “Santo Cura d’Ars”, patrono dos padres. Os ministros ordenados são aqueles que recebem sacramento da ordem: o Diaconato, o Presbiterado e o Episcopado. Todo ministro na Igreja é, antes de tudo, um servidor do Cristo, da comunidade e das coisas divinas. 


Já no segundo domingo, temos o Dia dos Pais. Sabemos que, no Brasil esse dia é comemorado porque, no passado, em 16 de agosto, celebrava-se o dia de São Joaquim, pai de Nossa Senhora, e por isso, adotou-se esse dia e, depois, o domingo para essa comemoração. Junto aos pais, comemoramos, portanto, a vocação à vida matrimonial e iniciamos a Semana Nacional da Família. As famílias têm a missão de educar seus filhos e filhas para uma autêntica vida cristã e uma vivência saudável em sociedade. Uma autêntica família cristã testemunha no mundo o comprometimento com os ministérios na comunidade, proporcionando um confronto sadio entre os ideais e sonhos dos adolescentes e jovens com as propostas do Evangelho, as necessidades da Igreja e da humanidade. 


No terceiro domingo, recordamos a vocação à vida consagrada: religiosos, religiosas, consagrados e consagradas nos vários institutos e comunidades de vida apostólica e também nas novas comunidades. Essa recordação é feita porque, em 15 de agosto, celebramos a Assunção de Maria, solenidade que, no Brasil, é transferida para o domingo seguinte. A vida consagrada é chamada a viver a forma de vida que Cristo escolheu para este mundo: vida casta, pobre e obediente. Esse modo de seguir Jesus Cristo se expressa na vida religiosa contemplativa e missionária, nos institutos seculares, sociedades de vida apostólica e outras novas formas, na alegria de “dar testemunho da absoluta primazia de Deus e de seu Reino” (DAp 219). 


No quarto domingo do mês de agosto, é a vez de comemorarmos a vocação do cristão leigo. Nossos catequistas, ministros e diversos leigos que, com sua presença na Igreja, nos vários ambientes de trabalho e na vida em comunidade, dão seu testemunho de cristãos. A vocação do leigo/missionário nasce no coração de Deus, se realiza em Cristo, quando responde sim ao chamado, e é animada pelo Espírito Santo. Portanto, a Santíssima Trindade, que é fonte de toda vocação, sustenta a missão do leigo engajado, chamado a ser Profeta, falar em nome de Deus e da Igreja. 


A importância de rezar pelas vocações


Cada vez mais, as pessoas vivem em função de suas tarefas e em meio a um turbilhão de acontecimentos, barulhos e conflitos interiores. A Igreja continua crescendo e, para realizar sua missão, necessita de pessoas comprometidas com o Reino de Deus. Não só o mês de agosto é destinado à oração pelas vocações, sobretudo, faz-nos refletir sobre a importância de rezar sempre e em todos os tempos para que os filhos de Deus se encontrem em sua missão neste mundo.   


Dentro deste mês vocacional, não podemos esquecer de rezar pela primeira e mais importante de todas as vocações: a vocação à vida cristã e, consequentemente, à santidade, pois todos somos chamados a ser santos, e fora desse caminho não temos como viver bem nossa vocação pessoal.


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