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Maria, Mulher de Esperança

26.11.2018 | 4 minutos de leitura
Igreja
Maria, Mulher de Esperança

Pe. Zaqueu Geraldo Pinto


Contemplar Maria é uma oportunidade de renovação da nossa fé, vivida no seguimento de Jesus, como seus discípulos-missionários. Essa atitude nos apresenta uma oportunidade ímpar de evangelização e revitalização. Para isso, torna-se necessário superar uma visão meramente devocional, quando não semi-mágica, da figura de Maria, Mãe do Senhor e Mãe da Igreja, para tornar a devoção mariana fecunda e dinamizadora da fé e da missão, na construção do Reino de Deus.


A experiência de Deus vivida por Camilo de Lellis caracteriza-se por uma espiritualidade eminentemente cristocêntrica. Jesus é o crucificado da paixão, morte e ressurreição pela salvação do mundo. Ele está presente no enfermo e em quem sofre, pois o enfermo está chamado a contemplar sua paixão “a favor de seu corpo que é a Igreja” (Cl 1,24). Segundo Felice Ruffini, “Camilo colocará essa intuição central como fundamento da obra que realiza. Nessa verdade insere-se profundamente a especial relação existente de Camilo com a Mãe de Jesus. O caráter singularmente mariano da espiritualidade de Camilo está em sua forma prática, em seu estilo de vida, em seu ministério de assistência aos enfermos. O ministério de Camilo é mariano porque, em seu apostolado e em sua catequese sobre os enfermos e em seus próprios irmãos e filhos espirituais, há uma referência existencial constante a Maria, mãe de Jesus dolente”.


Diante de todas as dificuldades e supressas do projeto de Deus, a esperança da Virgem não vacilou nunca. Ela é bem-aventurada porque acreditou e desta fé vê nascer um futuro novo e aguarda com esperança o amanhã de Deus. Mulher de esperança. Isso nos diz que a esperança nutre-se da escuta, da contemplação, da paciência, para que os tempos de Deus amadureçam. O “Faça-se em mim segundo a tua vontade” (cf. Lc 1,38) não é somente uma aceitação, mas também uma abertura confiante ao futuro. Este “faça-se” é esperança, disse o papa Francisco.


Abrindo um parênteses, como Maria, Camilo pergunta “como vai acontecer isso”?  Não há, para ambos, clareza sobre o que está acontecendo, nem sobre a sua missão. Até nisso eles se assemelham a nós, que tantas vezes ficamos perplexos diante dos acontecimentos na concretização e vivência da nossa missão. É bom ressaltar o fato que Maria e Camilo nem sempre tinham clareza sobre as coisas. Uma Maria e um Camilo que tivessem absoluta certeza sobre tudo teriam muito pouco a ensinar a nós, que enfrentamos tantas dificuldades e dúvidas na vida diária.

A presença maternal de Maria, experimentada por Camilo, leva-o a um profundo exame de consciência, que o ajuda a colocar um pouco mais "em ordem" a sua vida, provocando nele uma mistura de inquietude, remorso, insatisfação, medo e, acima de tudo, esperança.  Camilo se abandona “filialmente em Maria”. Camilo acolhe Maria em sua “casa”, ou seja, estabelece uma comunhão de vida entre eles, leva Maria para o espaço de sua vida interior, seu “eu” humano e cristão.


O papa Francisco sugere que nos aproximemos, a exemplo de Maria, “com ternura daqueles que precisam de cura para levar a esperança e o sorriso de Deus às contradições do mundo”. Há um estilo mariano na atividade evangelizadora da Igreja que sabe combinar ternura e firmeza, afeto e justiça (“Magnificat”). Esta dinâmica de justiça e ternura, de contemplação e de caminho para os outros faz dela um modelo eclesial para a evangelização (EG 288).


O caráter singularmente mariano da espiritualidade de Camilo está em sua forma prática, em seu estilo de vida, em seu ministério de assistência aos enfermos. Segundo o Pe. Francisco Alvarez, a configuração com Cristo misericordioso e bom samaritano, operou em Camilo uma verdadeira transformação de sua própria humanidade com todas suas faculdades e energias. Uma transformação com uma forte dimensão estética: o serviço como obra de arte, em que o corpo, educado na escola do bom Samaritano, se converte em veículo da ternura de Cristo. Era todo coração para os enfermos, e transformou em programa de educação transmitido de geração em geração a expressão “mais coração nessas mãos, irmão!”, ou então aquele pensamento  em que diz; “cada um peça a Graça ao Senhor... porque queremos servir aos enfermos com o mesmo amor com que uma mãe cuida de seu próprio filho enfermo”.

 

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