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Sínodo dos jovens: luzes para a missão

12.11.2018 | 9 minutos de leitura
Igreja
Sínodo dos jovens: luzes para a missão

Em outubro deste ano, 2018, foi realizada a XV Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos no Vaticano. Esta, que acontece a cada quatro anos, constitui uma reunião dos bispos da Igreja Católica do mundo inteiro com o Papa, a fim de discutir algum tema em especial, auxiliando o Santo Padre no governo da Igreja Católica.


A palavra sínodo é a soma de duas palavras gregas: “syn”, que significa “juntos”, e “hodos”, que significa “estrada ou caminho”. Este ano o tema do Sínodo dos Bispos foi: “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. Antes mesmo, devida a importância do assunto, o Papa Francisco fez questão de realizar uma "pré-reunião" com os próprios jovens, a fim de ouvi-los, entender seus medos, esperanças, dificuldades, sonhos...  Foi realizada, de fato, uma consulta aos jovens, por meio de um site no qual eles podiam responder um questionário sobre suas expectativas e sobre suas vidas. As respostas constituíram a base do Documento de Trabalho, o “Instrumentum Laboris”, que foi o ponto de referência para a discussão dos padres sinodais. Todas essas iniciativas para se levar em conta verdadeiramente o jovem e contribuir com as discussões no sínodo.


"Todos os jovens têm algo a dizer à Igreja, aos bispos e ao Papa!"

Papa Francisco


O Documento de Trabalho, que os bispos receberam antecipadamente, se dividia em três partes: “Os jovens no mundo de hoje”; “Fé, discernimento, vocação” e “Ação pastoral”. O Documento foi direcionado ao Sínodo dos Bispos; ao Conselho das Igrejas Orientais Católicas; às Conferências Episcopais; à Cúria Romana e à União dos Superiores Gerais. Dessa forma, catorze grupos de trabalho prepararam uma síntese para que todos pudessem se aprofundar e dar contribuir na plenária. 


Impulsionar, apoiar e acompanhar a evolução dos jovens no contexto da sociedade e da Igreja foram algumas das motivações para o tema escolhido para este sínodo tão especial. Isso porque muito se sabe sobre a força que o jovem tem para conquistar mudanças. O vigor da idade, a criatividade, agilidade entre outros fatores são alguns dos que mais contribuem para o alcance que os jovens têm, e é necessário reforçar constantemente essa conscientização.


Conduzidos pela força e pelos dons do Espírito Santo, os jovens são considerados a chave essencial para que a Igreja atinja mais pessoas, converta corações, salve almas para Deus. Por isso, é tão importante essa proximidade com o jovem, a troca, os ensinamentos, o respaldo da Igreja para que eles se agarrem em suas missões, tenham discernimento e sabedoria para entender suas verdadeiras vocações, acolham-nas da melhor maneira e trilhem seu caminho apoiados em Cristo.

Acerca do documento final expedido do sínodo dos bispos 2018, em relação às vocações, podemos extrair alguns trechos, como:


"Os jovens são fascinados pela aventura da autodescoberta progressiva. Eles aprendem voluntariamente das atividades que realizam, de reuniões e relacionamentos, colocando-se à prova na vida cotidiana. No entanto, eles precisam ser ajudados a reunir as diferentes experiências em unidade e a lê-las em uma perspectiva de fé, superando o risco de dispersão e reconhecendo os sinais com os quais Deus fala. Na descoberta da vocação, nem tudo é imediatamente claro, porque a fé "vê" na medida em que caminha, na qual entra no espaço aberto pela Palavra de Deus" (FRANCESCO, Lumen Fidei, 9)".


É preciso encarar a escuta à vocação como algo a ser feito com cuidado. Não ter pressa para entender e ouvir o chamado do Senhor fará a diferença no discernimento, lembrando que nem todas as respostas são obtidas rapidamente. Para isso, é necessária muita oração, entrega e direção espiritual. Como sinalizado no documento, a fé precisa ser alimentada, só assim ela aumenta à medida em que se caminha. É uma verdadeira caminhada. Se podemos fazer uma comparação, a construção da fé se assemelha a uma maratona e não apenas a uma corrida de 100 metros. Alimentá-la, manter uma constância na evolução espiritual é que nos fará chegar ao céu.


Ainda no documento, é possível entender que a vocação é um chamado, mas que Deus nos dá a liberdade de escolha, como Pai, nos dá o livre-arbítrio.


"Ao longo dos séculos, a compreensão teológica do mistério da vocação conheceu diferentes ênfases, dependendo do contexto social e eclesial em que o tema foi elaborado[...]. O entrelaçamento da escolha divina e da liberdade humana, em particular, deve ser pensado a partir de todo determinismo e de todo extrínsecismo. A vocação não é um roteiro já escrito que o ser humano deveria simplesmente recitar nem uma improvisação teatral sem traços [...]. Cultivada nesta luz, a vocação aparece realmente como um presente de graça e aliança, como o mais belo e precioso segredo de nossa liberdade".


Os debates e as questões acerca do jovem na Igreja foram diversos, e cada qual foi tratado com a devida importância levando-os em conta como valiosos temas que são, confira:


Como acompanhar os jovens para que reconheçam e acolham o chamado ao amor e à vida em plenitude.


Ouvindo as aspirações dos jovens, podemos vislumbrar o mundo de amanhã e os caminhos que a Igreja é chamada a percorrer.


Ouvir o jovem, compreender a realidade e o sofrimento da juventude, em especial dos jovens migrantes e desempregados.


Questões importante como a castidade, jovens que vivem em situação de risco, exclusão social, guerras, ameaçados pela ideologia de gênero.


O desejo de ser feliz, a busca de sentido para a vida e a luta contra o mal.


Debate sobre como desenvolver uma pastoral juvenil na internet. A Igreja quer abrir novos caminhos de evangelização entre os jovens e valer-se de todo o potencial das novas tecnologias da internet. A pergunta que os padres sinodais tentaram responder é: de que modo conseguir?


Desejo de uma Igreja que viva a comunhão de gerações.


Além desses, que são apenas alguns dos assuntos que direcionaram os quase 30 dias de sínodo para aprofundamento, houve também algumas manifestações e definições resultantes da plenária, como:


Migração e perseguições serão dois dos temas centrais do documento final do Sínodo.


Os padres sinodais pediram ao Papa um Dicastério para os jovens, parecido com o Dicastério da família e da vida.


Os jovens iraquianos enviaram comovente mensagem ao Papa pelo Sínodo.


O Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Cardeal Robert Sarah, assinalou que “aguar” a doutrina moral católica também no campo da sexualidade, não conseguirá atrair os jovens.


Um Cardeal africano afirmou que a Europa se comporta como se não fosse cristã.


Os Padres sinodais enviarão uma carta aos jovens de todo o mundo.


As intervenções apresentadas e propostas visam de forma católica cristã chamar os jovens para a Igreja, proteger e serem sinais de alerta que impactem no avivamento deles; resgatando, transformando-os em instrumentos de salvação e permitindo a restauração, a fim de que cada um encontre sua verdadeira vocação, seja como missionário, leigo, padre, irmã religiosa, casal pelo matrimônio, e assim assumir a obra de Deus em suas vidas, sendo verdadeiras luzes para a missão de Deus na Terra.


Ainda, após o encerramento do sínodo, em uma missa celebrada pelo Papa, durante a homilia, o Pontífice fez questão de afirmar sua união a esta geração:


“Gostaria de dizer aos jovens, em nome de todos nós, adultos: desculpai, se muitas vezes não vos escutamos; se, em vez de vos abrir o coração, vos enchemos os ouvidos. Como Igreja de Jesus, desejamos colocar-nos amorosamente à vossa escuta, certos de duas coisas: que a vossa vida é preciosa para Deus, (…) e que, também para nós, a vossa vida é preciosa, mais ainda necessária para se avançar”.


Quer saber mais sobre o sínodo dos bispos 2018?


Confira abaixo na íntegra a "Carta dos Padres Sinodais aos jovens":


A vocês, jovens do mundo, nós padres sinodais nos dirigimos com uma palavra de esperança, confiança e consolação. Nestes dias, nos reunimos para escutar a voz de Jesus, “o Cristo, eternamente jovem”, e reconhecer Nele as vozes dos jovens e seus gritos de exultação, lamentos e silêncios.


Sabemos de suas buscas interiores, das alegrias e das esperanças, das dores e angústias que fazem parte de sua inquietude. Agora, queremos que vocês escutem uma palavra nossa: desejamos ser colaboradores de sua alegria para que suas expectativas se transformem em ideais. Temos certeza de que com sua vontade de viver, vocês estão prontos a se empenhar para que seus sonhos tomem forma em sua existência e na história humana.


Que nossas fraquezas não os desanimem, que as fragilidades e pecados não sejam um obstáculo à sua confiança. A Igreja é sua mãe, não abandona vocês, está pronta para acompanhá-los em novos caminhos, nas sendas mais altas onde o vento do Espírito sopra mais forte, varrendo as névoas da indiferença, da superficialidade, do desânimo.


Quando o mundo, que Deus tanto amou a ponto de lhe doar seu Filho Jesus, é subordinado às coisas, ao sucesso imediato e ao prazer, pisoteando os mais fracos, ajudem-no a se reerguer e a dirigir seu olhar ao amor, à beleza, à verdade e à justiça.


Por um mês, nós caminhamos juntos, com alguns de vocês e muitos outros unidos a nós com a oração e o carinho. Desejamos continuar o caminho em todas as partes da terra onde o Senhor Jesus nos envia como discípulos missionários.


A Igreja e o mundo precisam urgentemente de seu entusiasmo. Sejam companheiros de estrada dos mais frágeis, dos pobres, dos feridos pela vida.


Vocês são o presente, sejam o futuro mais luminoso.

 

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